Um milagre: existir

em 8 de Janeiro de 2018. Categoria: Cotidiano

Entre tanta coisa a toa que acontece na correria do dia a dia, de vez em quando eu concluo: a vida é mesmo um milagre

Ontem eu mergulhei em águas transparentes, com a mão no nariz, como fazem as crianças e mesmo envergonhada por não saber nadar, deixei a água me levar.
Tomei uma cerveja gelada olhando para um pedaço de paraíso e enquanto colocava os pés na areia molhada, agradeci a Deus pelo seu trabalho impecável.
Claro que também questionei seus métodos. Eu não acho justo que vistas tão lindas sejam privilégio e não um direito de todos.

Depois, eu saí pra dançar.
Eu estava com minha sandália de velha, sendo jovem. Dancei como se não sentisse nos ombros todo o peso do mundo. Mesmo depois aprender que não adianta, eles ainda pesam.

Aquelas canções que eram todas do tipo “essa é a minha música” me fizeram sentir com 19 anos. (Porque eu lembro exatamente quando a revolução começou aqui dentro e eu tinha 19 anos).
Tive vontade de chorar pq aquelas músicas me lembravam o quanto já me fiz mal e o quanto eu já deixei a vida escapar. Mas, eu sorri pq agora eu tenho outro jeito de sentir a vida.

Eu sinto a vida como a cerveja gelada em um pedacinho do paraíso que tenho o privilégio de conhecer mesmo quando estou no escritório, mesmo quando estou lavando as roupas. Mesmo quando estou olhando tanta coisa feia e tanta gente má, eu ainda acho a vida uma delícia.

É privilégio ter tanta gente ao redor fazendo coro as minhas canções favoritas e me dando a certeza de que nunca mais andarei sozinha e que por isso é tudo tão bonito.

Eu queria dançar pra sempre, mas, o show acabou.

Ainda bem que a vida continua.
E a vida, ah, ela é mesmo um milagre. <3

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