Ouvido na rua, olhos no alto

em 21 de setembro de 2017. Categoria: Cotidiano

De todas as coisas que eu aprendi na infância, não escutar a conversa dos outros é a mais difícil de obedecer.

Por mais boazinha e comportada que eu me esforce pra ser, sempre vou ouvir a conversa dos outros.

Às vezes isso é uma maldição. Às vezes é uma benção.

Dia desses, enquanto eu voltava do almoço ouvi uma senhora dizendo: “Fazia muito tempo que eu não via o céu. Nem me lembrava mais como era bonito.”

Eu, que ainda nem tinha olhado pro céu embora estivesse desde muito cedo andando na rua, levantei os olhos e não vi nada demais.

Nenhuma das maravilhas coloridas que costumamos fotografar ou que cause qualquer impacto.

Estranhando, virei o pescoço pra trás esperando encontrar algum vestígio de debilidade que tivesse impedido aquela mulher de olhar o céu.

Não havia.

Criei minhas histórias e me auto censurei: se não me privo, não me encanto?

Olhei pro céu e sorri.

Tinha algo de lindo e encantador naquele céu: o fato de existir.

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  • Vitor

    E é um prazer tão bom só olhar o céu, principalmente no entardecer.

    • Deise Duarte

      Feliz é quem consegue colar os olhos nesse espaço azul e tão lindo, né?

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