Idiota digital

em 1 de junho de 2017. Categoria: Sem categoria

Esses dias, saindo do supermercado encontrei a minha melhor amiga de infância. Impossível não reconhecê-la: os cabelos pretos lisos e longos, a pele morena impecável e um sorriso largo Parecia a mesma de 25 anos atrás.
Ela provavelmente encontrou nas minhas sardas e no queixo furado a confirmação de que eu, era mesmo eu, e já veio sorrindo na minha direção.
Eu a abracei com tanto entusiasmo que parecia um encontro íntimo, como se não estivéssemos separadas por tanto tempo e não houvesse nenhuma diferença entre nós.
Abracei minha amiga com a alma e ela, ainda que embaraçada, retribuiu.
Saí do abraço, segurei suas mãos e entre todas as coisas que eu podia perguntar, perguntei: “Qual é o teu facebook?”
Ela respondeu, meio incrédula e oscilante. Ela nem sabia direito qual era o seu “face”.

 

Mulher utilizando celular no meio da rua

 

Quem não ficaria descrente ao dar de cara com uma amiga que se tornou uma refém do mundo digital?
Deve ser decepcionante esperar um “e a tua mãe, como é que ta?” pra poder contar uma incrível história sobre varizes, herança, depressão e viagens, mas, ter que responder apenas com o seu “nome de rede social” e ver aquela amiga que abraçou você como uma irmã, sair mexendo no celular como se fosse uma desconhecida.
Eu podia ter ido embora com mais uma memória da minha melhor amiga de infância, mas, a única coisa que eu levei foi os meus olhos, de novo pra tela do celular.

Definitivamente, tô ficando maluca!
Você também?

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